Colaboradores

domingo, 31 de agosto de 2008

Fake

Eu tenho um armário cheio de máscaras
que só tu não conheces

Teu corpo me despe inteira
fico só eu no teu peito respirando-me

Às vezes eu não me encontro em ti
talvez perdida em tua alma
talvez à beira impenetrável de teu oceano
ou apenas assim: o vento do abismo em meus cabelos


Eu não sei das finitudes
a tatoo eterna do teu nome em mim
o que me pergunta é do tanto, esse tanto tanto
este côncavo que soterro de desculpas tolas
pra não me pôr de joelhos

Eu não te digo mais do que sou capaz
o resto eu não entendo

Então eu me finjo de poeta
pra fingir que finjo a dor que não é minha
pra pôr o vazio em peito alheio
pra empurrar outro corpo no desfiladeiro

É tudo mentira
faz tempo que eu só me confesso entre quatro paredes

Eu tenho um armário cheio de máscaras
mas nenhuma serve em meu coração